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De personalidade tão complexa que só a construção de espaços como este para comportar um pouco da trajetória intimista; paradoxalmente, tão simples ao ponto de permitir-se tornar invisível em prol da autopreservação...Sou eu.

sábado, 27 de agosto de 2011

Bom texto para descrever o atual estágio... E o futuro: Resiliência aí vou eu!

Continue lendo: http://www.pesquisapsicologica.pro.br/pub01/lissandra_tania_vera.htm#resiliencia

A depressão e a dor do ser



Já foi explicitado que, de modo geral, a depressão resulta numa inibição global da pessoa, afeta a parte psíquica, as funções mais nobres da mente humana, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, e também a parte física. Enfim, tudo parece ser difícil, problemático e cansativo para o deprimido.

Shlishia (2005) perquiriu que a pessoa deprimida não tem ânimo para os prazeres e para quase nada na vida. De pouco adiantam os conselhos para que passeiem, encontrem pessoas diferentes, freqüentem grupos religiosos ou pratiquem atividades exóticas.

[...] os sentimentos depressivos vêm do interior da pessoa e não de fora dela e é por isso que as coisas do mundo, as quais normalmente são agradáveis para quem não está deprimido, parecem aborrecedoras e sem sentido para o deprimido. Medicamente é mais entendida como um mal funcionamento cerebral do que uma má vontade psíquica ou uma cegueira mental para as coisas boas que a vida pode oferecer. A pessoa deprimida sabe e tem consciência das coisas boas de sua vida, sabe que tudo poderia ser bem pior, pode até saber que os motivos para seu estado sentimental não são tão importantes assim, entretanto, apesar de saber isso tudo e de não desejar estar dessa forma, continua muito deprimido. Portanto, as doenças depressivas se manifestam de diversas maneiras, da mesma forma que outras doenças, como, por exemplo, as do coração. (TIBA, 2000, p. 57).

A vida perde a cor e a pessoa perde o interesse por tudo, inclusive seus hobbies preferidos, apetite, amigos, trabalho e não raro prefere ficar isolada. Assim, a doença interfere na vida da pessoa, podendo mudar até a maneira como pensa e age. O pensamento pode estar confuso, pois os sentimentos estão exacerbados, mas a pessoa tem consciência do seu sofrimento e do sofrimento que causa; não consegue encontrar um motivo que justifique essa tempestade emocional, ao mesmo tempo em que não consegue reagir a essa tendência interior.

A saída de um quadro depressivo se dá, muitas vezes com altos e baixos. O indivíduo, quando chega a procurar ajuda, encontra-se deprimido a maior parte do tempo. Com o início do tratamento começa a apresentar sensações boas e sintomas de depressão. Ao longo do processo terapêutico esses períodos de normalidade vão ficando cada vez mais duradouros e constantes, e os momentos depressivos cada vez mais raros e menos agudos.

É de extrema importância que o indivíduo deprimido tenha a noção de que é comum e muitas vezes esperado ter algumas recaídas, para que não abandone o tratamento diante de pequenas regressões. Falhas da memória, tristeza, desinteresse por tudo, recusa a alimentar-se são manifestações consideradas como alterações psicomotoras, inibição intelectual. Grande ansiedade e até mesmo comportamentos delirantes, podem ser a expressão de uma depressão, doença perfeitamente curável se detectada a tempo e que não se caracteriza por selecionar suas vítimas.

A resiliência na saída da crise

Resiliência é um termo oriundo da Física e trata-se da capacidade dos materiais de resistirem aos choques. A noção de resiliência vem sendo utilizada há muito tempo pela Física e Engenharia, sendo um de seus precursores o cientista inglês Thomas Young que, em 1807, considerando tensão e compressão, introduziu pela primeira vez a noção de módulo de elasticidade.

Young descrevia experimentos sobre tensão e compressão de barras, buscando a relação entre a força que era aplicada num corpo e a deformação que essa força produzia. Esse cientista foi também o pioneiro na análise dos estresses trazidos pelo impacto, tendo elaborado um método para o cálculo dessas forças.

O termo passou por um deslizamento em direção às ciências humanas e hoje representa a capacidade de um ser humano de sobreviver a um trauma; a resistência do indivíduo face às adversidades, não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das contrições sociais que influenciam negativamente para seu retorno à vida. Assim, um dos fatores de resiliência é a capacidade do indivíduo de garantir sua integridade, mesmo nos momentos mais críticos.

[...] freqüentemente é referida por processos que explicam a superação de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações. Por tratar-se de um conceito relativamente novo no campo da Psicologia, a resiliência vem sendo bastante discutida do ponto de vista teórico e metodológico pela comunidade científica. Alguns estudiosos reconhecem a resiliência como um fenômeno comum e presente no desenvolvimento de qualquer ser humano, e outros enfatizam a necessidade de cautela no uso “naturalizado” do termo. (TAVARES, 2001, p. 46).

Em Psicologia, o estudo do fenômeno da resiliência é relativamente recente e está estreitamente ligado à noção de psicossomática e holismo. Vem sendo pesquisado há cerca de trinta anos, mas apenas nos últimos cinco anos os encontros internacionais têm trazido esse construto para discussão. Sua definição não é clara, tampouco precisa quanto na Física ou na Engenharia, e nem poderia sê-lo, haja vista a complexidade e multiplicidade de fatores e variáveis, levados em conta no estudo dos fenômenos humanos.

Implica, tão somente, na habilidade e capacidade humana de enfrentar e superar as adversidades sucessivas ou acumuladas, sem prejuízos para o seu desenvolvimento. Engloba a capacidade de auto-regular-se e de se auto-recuperar. Os precursores do termo resiliência na Psicologia são os termos invencibilidade ou invulnerabilidade, ainda bastante referidos na literatura.

Na verdade, é o resultado de intervenções de apoio, de otimismo, de dedicação e amor, idéias e conceitos que entram sorrateiramente nas ciências como causa e efeito, hipótese e tese de que as relações intra e interpessoais devem ultrapassar o rigor do empirismo para encontrar o acaso.

Valorizar as pequenas vitórias, mentalizar um projeto de vida, estabelecer vínculos com pessoas que podem representar coragem e estímulo, visualizar nos obstáculos a possibilidade de crescimento pessoal, ser flexível e analisar com ponderação as situações rotuladas como críticas, são habilidades a serem estimuladas na promoção da resiliência.

Um dos fatores de maior importância é o apoio e o acolhimento, feito em geral por um outro indivíduo, e essencial para o salto qualitativo que se dá. Embora seja íntima e pessoal, essa capacidade tem como suporte o desenvolvimento do autoconceito e da auto-estima, considerados elementos fundamentais para o processo de estruturação de personalidades resilientes.

EM BUSCA DA CURA...

Era o "slogan" anterior deste blog. Ainda atual e perfeitamente aplicável.

Sou leitora voraz, mas determinados conflitos existenciais minam o que há de maior e mais nobre em mim: a curiosidade, a sede em conhecer, reconhecer, interpelar, problematizar, identificar, interpretar, reelaborar...

Diariamente perco boa dose do néctar diário da informação. Busco forças e proatividade para rebelar-me contra tudo o que paralisa e destrói o que resta de alguma auto-estima.

Diariamente luto contra a depressão existencial. Paradoxal inimiga, uma vez que nasce e é alimentada pelo desenfreado desejo de saber, que por sua vez é parte dos elementos constituintes da construção de mim... Como células, que embora em quantidades e formas necessárias consistam em corpo saudável, quando reproduzidas sem controle, revela-se a tradução da morte.

Minha existência nesta vida tem sido marcada por extremos "controlados". Vivo pela metade, penso e sonho pela metade. Sou metade quase sempre.

Quando, ou melhor, se um dia essa erupção acontecer, não restará nada. Uma vez que o magma da vida arde em mim, pulula, sacudindo o cérebro e queimando cada válvula que me permite mover o corpo. A alma mantém-se como a fênix. Não sei até quando...

Sinto-me suspensa, sem interesse em fugir ou lutar. Apenas vivo e procuro elaborar cada fatídico momento. Sempre sem oferecer o melhor ou o pior que possuo de mais intenso.

Os pensamentos, que um dia acreditei que realmente fossem de uso livre, descobri que os devo comedir para auto preservação. Foi um choque, mas os coloquei no balaio junto aos outros e ... penso pela metade...

É isso, post sem dor, sem amor, sem intenção, sem emoção, sem razão, sem vida.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Em fase reconstrução... Mais uma vez. No entanto, noto que esta difere de todas as outras ressignificações à vida por conter o elemento "maturidade".

Claro que continua assustador e imprevisível. Claro que a instabilidade ainda incomoda e freia. Mas a condução disso tudo é que mudou.

Como antes, ainda não tenho saúde financeira; como outrora, milhares de dúvidas por vezes impedem-me de gozar uma saudável noite de sono. Mas diferentemente de todas as outras decisões que invariavelmente eram envolvidas por uma aura de "país das maravilhas", hoje reconheço e preparo-me para intempéries, inclusive aquelas relacionadas a eventuais tomadas de decisões equivocadas. E lembro da célebre expressão que vez por outra me traduz: "Sou mais forte do que eu. - Clarisse Lispector".

Desci do "salto". Compreendi que para tudo há um prazo: para a alegria, tristeza, satisfação, prazer, adoecimento, estudo, estabilização emocional. Verdade tão óbvia, tão simples... tão complexa de elaborar e internalizar

Antes a urgência em viver, como se não houvesse mais tempo para o gozo, impedia-me de amadurecer com as transições. Hoje a "verdade dos prazos" me conforta e mantém a trajetória menos dura e inconstante, pois me dei conta, finalmente, de que é só uma etapa. Movendo-me corretamente,usufruo do carpe diem e alcanço metas mais ousadas e prazerosas, tanto pela sensação de dever cumprido, quanto pelos louros advindos como simples consequência da formulação e execução do objetivo.

Carpe diem! Sábia expressão, sempre válida. Na verdade, a única possível, uma vez que nos valemos do passado apenas para embasar nossas presentes decisões. Apenas exercitamos conjecturas ao planejar o futuro... Para viver de fato, resta-nos apenas o presente. Usufruamos com maturidade, e para sempre gozaremos o hoje com prazer. Eis a fórmula da plenitude.

Carpe Diem!!!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mais uma descoberta: estudar o comportamento humano é tão gratificante!!!

Após superar com louvável desenvoltura o episódio enxaquecoso e emocionalmente instável que mais uma vez freou meus instintos, regulando a velocidade com que insisto em me mover no universo, desenvolvo mais um parágrafo nesse refúgio de impressões que acalmam e traduzem episódios ímpares e ricos de estados e sensações.

Noto que após descobrir que funciono bem ao meu lado, sei dialogar comigo mesma, reconheço meus acertos e fracassos e extraio lições significativas de quaisquer situações, sinto menos urgência em escrever. Na verdade sinto algo bem mais significativo: não há tanto o que escrever, embora um parágrafo ou outro, pontual, faça bem em doses homeopáticas. Antes, um texto lamberia muito bem uma ferida, acalmaria uma dor, amenizaria ansiedade descompensada. Hoje preciso elaborar um objetivo contundente para cada caracter, tijolo que outrora reconstruiria um pouco da auto-estima que costumeiramente sofria (e sofre) algum dano nas inúmeras, perigosas e sinuosas curvas da existência. Diria que há cada vez menos objetivos disponíveis que justifiquem meus parágrafos, mas continuarei mantendo o hábito de descrever e mensurar fatos significativos, embora nem sempre a razão que o mantém esteja definida. Genericamente, na ausência de motivação, diria apenas que gosto de exercitar a tradução de mim. Gosto de me desnudar para praticar espécie de auto-aceitação. Na melhor das hipóteses, escrevo para exercitar a auto-apreciação do amadurecimento que permeia minha vida e minha percepção do mundo.

Não gostaria mais de escrever crônicas. Que saí do trabalho e comprei revistas excitantes, que comi demais e agora estou meio ‘jururu’... No entanto devo me permitir descrever determinados episódios que de algum modo são/serão determinantes quanto ao caminho que estou trilhando e ao futuro que estou construindo.

Adquiri 09 (NOVE) revistas de conteúdo de Psicologia (amooo). Ler sobre o comportamento humano é como ler a mim mesma e compreender meu universo social. Confesso grande deficiência na capacidade de empatizar com o outro; por isso leio sobre comportamento, para compreender não só meu ambiente social, mas o desajuste que julgo haver entre o autoconhecimento e a empatia. Seria uma postura paradoxal? Estou ‘estudando’...

Independente desse objetivo primeiro (creio) esse periódico me agrada bastante e constitui lazer e entretenimento. Válvula de escape minha de cada dia.

Num próximo parágrafo discorrerei sobre a necessidade de dividir o tempo, cronometrá-lo, usá-lo em meu favor para que minimize o prejuízo de não poder realizar tudo o que meu acelerado cérebro preconiza. O mais difícil, creio, está devidamente elaborado: o dia tem apenas 24 horas, das quais preciso dormir por pelo menos 7h para bem usufruir das 17 horas que restam.
Confesso que preciso exercitar a resignação sempre que lembro desta limitação, mas sigamos.


Até.

AH/SD?

JCOB, 32 anos, ‘ex-portadora do Transtorno Afetivo Bipolar’ e atualmente com uma segunda impressão diagnóstica no currículo – detentora de tais ‘altas habilidades’.

Com exceção ao fato de não precisar de medicação, ter AH não é muito melhor ou pior do que a primeira impressão clínica. Mantenho as mesmas angústias, a mesma sensação de satisfação e insatisfação e o triste estigma carregado pelos diferentes... Ademais, a luta pelo autoconhecimento e autogerenciamento de emoções continua, além da necessidade de sustentar alguma válvula de escape que me propulsione para longe de meus monstros psíquicos.

Antes de iniciar esta jornada de impressões, a confissão de um minipecado: hoje não é 01 de janeiro de 2011. Na verdade são 26 de janeiro de 2011. Digamos que responsabilizarei este ligeiro ajuste (ou desajuste) de datas considerando que hoje me proponho a realizar uma série de modificações internas e externas e, uma vez que boa dose de ações e impressões padronizadas faça parte do conjunto de minhas características naturais (e este livro está sendo construído justamente para revelar facetas de mim), mantenho a data de início como espécie de marco entre aquela que conversava oralmente consigo mesma para puncionar e aliviar sua inquieta psique e esta que registrará por escrito seus mais recônditos devaneios.
A cabeça lateja levemente, ansiedade contida e desnecessária. Costumeira dor que me acompanha desde quando ainda nem me fora apresentada, quando desconhecia seu nome e real função. Hoje somos íntimas, companheiras, empáticas. Quando meus pensamentos incham o cérebro num turbilhão não comportado, o latejar se insinua para lembrar-me de minhas limitações. E se insisto em não me desvencilhar da torrente de informações que se atropelam no diminuto espaço, derruba-me sem dó obrigando-me a ficar quieta, no escuro; ou talvez inquieta curtindo desde o familiar incômodo de enjôos, estocomas, até males gastrintestinais e pesadelos (quando me permite dormir).

No entanto esta enxaqueca é empática e solidária, me devolve à terra, à realidade. Obriga-me a olhar para mim, não me permite esquecer que sou falível. Algum tempo de familiar tortura e retomo a luta renovada e alerta, pois a agrura anterior, ainda fresca, avisa-me do quanto é capaz de frear minhas ações e sentidos apenas para me permitir lapidar a percepção do real sentido atribuído à vida.

Hoje minha companheira trouxe junto alguns coadjuvantes que insistem em incomodar mais que o plano físico. O estado deprimido resolveu fazer-me uma visita. Disse um olá e afastou-se para permitir que decida se desejo sua companhia ou se o dispenso. Familiar e empático. Necessário vez ou outra. Dores no corpo e baixa imunidade o acompanham. Examino-o com minúcia e despeço-me com determinação. Entreolham-se e combinam de me deixar junto apenas da inseparável enxaqueca. Ainda assim ela prefere se despedir apenas quando nota que ficarei bem, acompanhada destas memórias.

Grata surpresa! Estou bem melhor, o latejar enfraquece e ao afastar-se lentamente leva junto aquele motim que outrora se rebelou em meu cérebro, instigando-me a lutar contra mim mesma, sugerindo que deva me revoltar contra a frustração e insegurança que me assolaram a alma por algumas horas. Venci os rebeldes e despedi-me alegremente da dor e somatose sem alopatas paliativos que enganosamente neutralizam meus companheiros, nada além; mostram-se ineficazes aos agentes causadores: rebelados irrecuperáveis que para sempre terei de controlar, pois não-raro resolvem amotinar-se no anfiteatro de meus pensamentos e emoções.

Contanto que coabitemos mutualisticamente, nada resta senão receber vez por outra minha dolorosa companheira e sentinela. Necessária visita.

Paz.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Critérios Diagnósticos para F60.4 - TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HISTRIÔNICA

Ainda de http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_histri%C3%B4nica

Um padrão invasivo de excessiva emocionalidade e busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:

1.busca constante ou exigência de afirmação, aprovação ou elogios;
2.autodramatização, teatralidade e expressão exagerada das emoções;
3.alta sugestionabilidade, facilmente influenciada pelos outros ou por certas circunstâncias;
4.sedução inapropriada em aparência ou comportamento;
5.preocupação excessiva com a atratividade física;
6.expressão de emoções exageradamente;
7.expressão de emoções rapidamente mutável;
8.egocentrismo nas satisfações;
9.intolerância severa às frustrações e à não-satisfação;
10.discurso impressionista e superficial.

Nota: continue lendo na wikipédia. Achei bastante interessante o texto na íntegra.

Transtorno de Personalidade Histriônica ou Histérica (TPH)

O Transtorno de Personalidade Histriônica ou Histérica (TPH) é uma desordem de personalidade (incluída no grupo B "dramáticos, imprevisíveis ou irregulares" - Borderline, Histriônica, Anti-Social e Narcisista), representada por pessoas dramáticas, exageradas, sedutoras, que tendem a chamar atenção para si mesmas e controlam pessoas e circunstâncias para conseguirem o que querem - manipuladores.[1] É um distúrbio de personalidade que pode ocorrer concomitante ao Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline) e, por isso, compartilham várias características em comum. Além disso, histriônicos têm uma probabilidade maior de adquirir depressão do que a maioria das pessoas.

Pessoas histriônicas não conseguem viver sem atenção. Carentes, elas acreditam que só são felizes com pessoas dando atenção a elas a todo instante, e acham que outros irão dar atenção apenas se agirem por extremos caminhos. Eles se consideram um "nada", caso fiquem sem atenção. Esses indivíduos têm profundos sentimentos de aborrecimento e tristeza caso se sintam ignorados, excluídos, rejeitados ou abandonados e ficam mal humorados facilmente se percebem que as pessoas não o responderam positivamente. Além disso, eles tendem a entreter as pessoas para estas não notarem seus pontos fracos e acreditam que animando, divertindo ou ajudando outras pessoas, apenas assim receberão atenção. Por vezes, são egoístas porque tendem a apenas fazer algo que tenha recompensa (ex.: afeto e atenção) e, de preferência, imediata; eles podem ajudar outras pessoas, fazendo-se de caridosos ou humildes pois sabem que assim terão atenção recompensada; ou então mostrar-se interessados por determinada pessoa apenas porque sabem que esta dará a atenção de que necessitam, mas quando cansam ou enjoam, tendem a deixar esta pessoa. Isto ainda é reforçado pelas oscilações do humor e opiniões de que histriônicos sofrem. Por vezes, confundidos com borderlines, os indivíduos histriônicos têm uma grande labilidade emocional marcada por instabilidade do humor e das emoções, muitas vezes estas expressas de forma exagerada mas superficial. Facilmente, de um humor animado, decaem ao choro, mau humor e depressão, bem como tendem a ser estressados podendo ter ataques de fúria incontrolável por se irritarem por qualquer coisa. Algumas vezes, essa grande instabilidade e exagero das emoções contribuem para se aparecerem mais.

De forma geral, a personalidade histriônica tem uma grande imaturidade emocional. Essas pessoas crescem fisicamente, mas por algum motivo, deixam de crescer emocionalmente e se estacionam nessa imaturidade, como se emocionalmente fossem eternas crianças. Contudo, diferente da imaturidade emocional causada por uma "superproteção" que pode ser revertida, nos transtornos de personalidade onde essa característica imatura está presente (histriônica, borderline, narcisista e anti-social), é muito difícil de ser amadurecida, exatamente porque os traços e modo de viver dessas pessoas são muito inflexíveis e desajustados, causando evidentes prejuízos e caracterizando, assim, um distúrbio de personalidade. Esses indivíduos podem chegar aos 15, 20, 30 anos e, mesmo assim, continuam imaturos afetivamente. As características mais evidentes de imaturidade emocional encontrada em histriônicos podem ser a impaciência e imediatismo, inconstância, instabilidade emocional, atitudes infantis, impulsividade, baixa tolerância à rotina e monotonia, deixar-se levar facilmente pelas emoções e intuição, vaidade, ciúmes em excesso, necessidade constante de atenção apenas para si, hedonismo, egocentrismo e egoísmo, dramatismo, intolerância às frustrações e decepções, devaneios românticos, relacionamentos superficiais, hipersensíveis - sentem-se facilmente feridos emocionalmente, fazem manipulações para conseguirem o que querem, tendência a acreditar que todos querem o seu mal, não conseguem ficar só, sem atenção e são pessoas com emoções à flor da pele, frequentemente desencadeando, por coisas de pouca importância, grande exagero ao expô-las (emotividade excessiva: acessos de euforia ou riso, chorar demais e facilmente, crises de mau humor bem como ataques de raiva ou irritabilidade).

Eles têm sempre uma atitude para atrair atenção, prazer e sedução e têm uma capacidade de mudar comportamentos em função do que aqueles esperam dele. Indivíduos com esse distúrbio, ao contrário de narcisistas, necessitam de uma autovalorização narcisista, pois muitas vezes têm uma imagem desvalorizada de si mesmo, são hipersensíveis e inseguros.

Essas pessoas são tidas frequentemente como os animadores, enérgicos e outras pessoas frequentemente apelidam-nas como "loucas", por vezes efusivos e pueris, podem gesticular e rir muito, sem controle, típico comportamento exuberante e chamativo. Esse comportamento, entretanto, é superficial sobretudo ao conhecer novas pessoas e circunstâncias e pode mudar drasticamente por conta da instabilidade das emoções e opiniões do histriônico, bem como a tendência à depressão. Na verdade, eles vivem a tentar entreter outras pessoas, porque acham que assim vão ter a atenção de que tanto necessitam e frequentemente podem demonstrar excessivo aborrecimento, ciúmes ou rancor caso percebam que outra pessoa está tendo mais atenção que eles. São pessoas literalmente exageradas em seu comportamento, sentimentos, emoções, falas etc. tanto que às vezes as outras pessoas podem achar que histriônicos são falsos ou fingidos, ocasionalmente, os outros têm dificuldade em nutrir confiança por histriônicos, estando sempre a duvidar, contudo, a verdade é que indivíduos com o transtorno demonstram em exagero o que realmente sentem (alegria excessiva, tristeza exagerada, raiva em excesso, ciúmes intenso, dor insuportável etc.) ou pensam, dando uma pseudo-aparência de fingimento.

Histriônicos, sobretudo as mulheres, frequentemente têm um comportamento tão extravagante que muitas vezes oscilam entre o cômico e a cólera. Por mais simpáticas e animadas estejam, com muita frequência, as mulheres histriônicas de repente podem ser tidas como barraqueiras, armadoras de confusão e provocações de brigas, pois podem expor excessivamente, sem nenhuma vergonha, suas emoções como a raiva ou cólera, por poucas de pouca importância (fazem tempestade em copo d'água), levando sempre em consideração ser o centro das atenções. Por vezes, esse comportamento chamativo e exagerado faz se expor às situações de sérios riscos. Geralmente esse tipo de comportamento é desencadeado por coisas pouco significantes que são tidas para o histriônico como algo de grande importância, como se "tudo o tirasse do sério", mas sempre colocando em conta ter todos os olhares centrados em si. Por exemplo, eles podem armar confusão por ciúmes com amigos, namorados etc.; bem como arranjar brigas, em um banco, por um simples atraso de atendimento. Frequentemente provocam com reclamações, xingamentos ou demonstrações excessivas de ataques coléricos, por vezes, envergonhando e constrangindo amigos e pessoas acompanhantes. Esse tipo de comportamento também pode ser encontrado nas pessoas com transtorno de personalidade limítrofe (Borderline), transtorno explosivo da personalidade e transtorno de personalidade anti-social (sociopatia), contudo, a principal característica que os difere, é o fato que histriônicos além de exibirem suas emoções com grande exagero, sempre tendem a querer concentrar os olhares em si, a partir desse tipo de atitude.

Histriônicos são carentes eternos de afeto (este freqüentemente não recebido corretamente na infância, por algum dos pais) e procuram incansavelmente carinho e atenção, podendo manipular todos ao redor para este fim com variadas formas possíveis, sendo que ser o centro das atenções, para eles, é a melhor forma de receber carinhos e elogios. Eles são donos de uma personalidade emocionalmente imatura: têm uma labilidade emocional marcada por instabilidade do humor, comportamento e opiniões; são inconstantes e não conseguem se manter estáveis por um longo período de tempo, além disso, não lidam com a monotonia e regras e facilmente tentam contornar ou ignorar situações de rotina. Estão sempre a mudar, hora são uma coisa, hora são outra. Egocêntricos, exigentes, exagerados e impulsividade evidente com uma severa dificuldade em tolerar frustrações e adiantamentos; impacientes e imediatistas, não suportam esperar. Também tendem a pôr sempre a culpa nos outros. Além disso, outra caracterítisca típica do histrionismo, é o comportamento teatral que eles têm. As outras pessoas costumam ter uma forte impressão de fingimento nas falas, opiniões, emoções e comportamento do histriônico, como se estivessem fingindo ou forçando o que falam, o que sentem, o que fazem.

Pessoas com esse distúrbio têm uma intensa instabilidade das emoções e do comportamento, além de frequentes distorções da imagem corporal (ex.: se achar muito gordo, muito magro, ou com defeitos imaginários com uma tendência elevada a desenvolver desordens como anorexia, bulimia, vigorexia, transtorno dismórfico corporal, etc.). Eles têm uma baixíssima tolerância às frustrações e facilmente se entendiam com rotinas, podendo começar um projeto entusiasmado, para depois não continuá-lo mais ou então começar outro evento sem ter terminado o anterior. Isto é facilmente notado através de seus relacionamentos, sentimentos por objetos e pessoas, gostos, trabalho e comportamento. Nos relacionamentos, por exemplo, eles podem enjoar e trocar facilmente de amigos ou até de cidade; podem gostar de uma coisa e depois, sem nenhum motivo, não gostar mais; nos estudos, eles podem mal começar para depois abandoná-los facilmente e, no trabalho, podem não durar muito tempo no cargo. Essa característica, entretanto, se difere das pessoas com Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline) pelo fato de que histriônicos não costumam serem extremos, ou seja, não idealizam excessivamente uma pessoarecém-conhecida para depois, com um abandono real ou imaginado, desvalorizá-la rapidamente (característica limítrofe). Até porque Borderlines costumam manter relações instáveis, profundas e intensas mesmo com pessoas recém-conhecidas, enquanto histriônicos tendem a ter relacionamentos instáveis mas superficiais tanto que, geralmente, pessoas que pouco conhecem histriônicos não vêem muita coisa de anormal em seu comportamento, pelo contrário, histéricos costumam aparentar ser simpáticos, animados e, as mulheres, excessivamente sedutoras para os homens, encantando facilmente outras pessoas e pessoas extremistas (como Borderlines) podem apaixonar-se facilmente, logo no primeiro encontro, por histriônicos pela sua fácil arte de sedução. Contudo, pessoas com as quais histrionicos mantêm relação mais profunda, como familiares, melhores amigos ou namorado, os sintomas do distúrbio (dramatismo excessivo, teatralidade, manipulação, instabilidade intensa, busca contínua por atenção, vaidade etc.) torna-se exageradamente evidente. Tanto que pode ser comum manterem com os outros um relacionamento superficial, enquanto que com a família podem ser completamente diferente como terem um grande ressentimento ou mal-humor. Entretanto, uma das semelhanças entre personalidades histriônicas e borderlines talvez seja exatamente a grande carência afetiva cujo os dois transtornos sofrem. Contudo, também talvez a grande diferença são os meios por quais tais indivíduos buscam obter essa falta de carinho e atenção. Borderlines além dos outros principais sintomas, tendem a ser pessoas que se sentem irritadiças e merecedoras de cuidados especificamente de pessoas muito íntimas (ex.: marido, namorado ou família), mas não exigem ser o "centro" de atenções, a todo momento, enquanto que histriônicos tentam encobrir a carência afetiva através de caminhos muito extremos e dramáticos, a todo instante. Quando estão se sentindo muito sozinhos e sem atenção, as duas personalidades podem manipular as pessoas fazendo tentativas de suicídio ou ameaçar que vão morrer apenas para terem atenção e carinho recebidos para si. Contudo, esse tipo de atitude, é muito mais frequente em histriônicos que borderlines, porque limítrofes tendem ao suicídio não para chamar atenção, unicamente. Caso histriônicos percebam que suas manipulações não são bem sucedidas (ex.: as pessoas não acreditam), eles podem ter ataques de raiva ou ter atitudes muito mais dramáticas e extremas, a ponto de fazer a culpa ser sentida em todas as pessoas ao seu redor que não acreditaram, por exemplo, em suas falsas ameaças de suicídio que levaria à pena, atenção e carinho para com o suposto suicida.

Histriônicos estão sempre a mudar conforme cenário que, na maioria das vezes, tornam-se tão instáveis que podem chegar a um momento que não sabem mais nem quem realmente são, quais são suas reais preferências, comportamentos e, de forma geral, sua própria personalidade. Encenam e mudam tanto que às vezes chegam a acreditar em suas próprias encenações; tornam-se muito inconstantes e sem um modo estável de ser. Exatamente por isso, o conflito interno nesses pacientes é enorme: mudam de planos e objetivos a toda hora, identidade, relacionamentos, gostos, aparência física, sentimentos e até preferência sexual, queixando-se sempre de incompreensão por parte de outras pessoas. Essa confusão interna é tão grande que por vezes leva à dissociação (ex.: amnésia psicogênica, transtorno múltiplo da personalidade), negação, repressão, depressão e à histeria.

Histriônicos podem usar a aparência física para atrair atenção para si próprio, por isso, são excessivamente preocupados com sua estética, vaidosos ao extremo e geralmente exibem uma aparência diferente, extravagante podendo gastar muito tempo e dinheiro com produtos para cabelo, acessórios, maquiagem, roupas etc. Compartilhando também muitas características com o Transtorno de Personalidade Anti-Social (Sociopatia), com frequencia, exibem também uma aparência e/ou comportamento manipulativo: sedutor ou emocional, mas muito especialmente sedutor e provocante o que faz com que possam ser rotulados erroneamente como "tarados ou vulgares"; podem se vestir dessa maneira em situações não apropriadas (ex.: usar roupas ousadas para o trabalho). Resultado de uma imaturidade emocional, as mulheres histriônicas estão sempre querendo chegar numa perfeição física que, de certa forma, acaba tornando-a fútil, pois é obcecada pela beleza com o principal objetivo de seduzir; elas têm uma hiperfeminilidade com uma acentuada tendência a despertar desejo dos homens e geralmente fazem de tudo para impressionar o outro ao ponto de vista estético e sedutor. É comum mulheres com o transtorno de personalidade histriônica terem como passatempo predileto provocar sensualmente homens, por exemplo, a fim de atrairem o maior número de olhares possíveis para si. Camuflam por trás desse comportamento chamativo ou provocante, a necessidade de se sentirem amadas.

Esses indíviduos são pessoas que buscam constantemente elogios, empenhando-se excessivamente em impressionar aos outros com sua aparência física. Esta frequentemente é chamativa, sexualmente provocativa e as interações com outras pessoas são muitas vezes provocativas sexualmente, por vezes inadequadas. As mulheres histriônicas são muito sedutoras, facilmente entram em jogos de sedução, usam roupas provocativas (decotes, vestidos, roupas curtas e extremamente femininas) em variados contextos e, muitos deles, são inapropriados. Elas têm uma perceptível preocupação excessiva com sua aparência física e temem "ficar feias"; podem gastar muito tempo olhando-se ao espelho, cuidando dos cabelos e pele, retocando a maquiagem etc. e parecem sempre colocar a atratividade física em primeiro lugar. Além da aparência atraente, têm atitudes e comportamentos sedutores facilmente manipulando pessoas do sexo oposto. As histriônicas podem seduzir não apenas as pessoas pelas quais demonstram um interesse sexual ou romântico, mas também seduzem outros indivíduos de variados relacionamentos sociais bem como profissionais, desde melhores amigos até médicos, dentistas, chefes de trabalho, mestre, professor etc. É notável também, pela exímia capacidade em "interpretar personagens", histriônicos podem representar papéis de desatentos, bobos ou ingênuos, contudo, quando se trata de pensar em inúmeras formas para manipular, como seduzir, são verdadeiros habilitados. Na realidade, assim como anti-sociais, sempre em busca de novas excitações e novidades, vivem a escolher uma "vítima" para seduzir; quando enjoam, se cansam desta ou percebem que não são mais o centro das atenções dessa pessoa, procuram outra. No caso dos histriônicos, a verdadeira intenção é sempre receber elogios e atenção a todo momento. Quando não recebem elogios ou percebem que não despertam a atenção dos homens, por exemplo, as histriônicas podem ficar deprimidas em demasia.

Além disso tudo, pessoas com a desordem histriônica com seu comportamento e aparência frequentemente chamativos e atraentes costumam encantar facilmente pessoas em sua volta, como também fazer com que conhecidos ou amigos ciumentos afastem-se deles por achar erroneamente que a histérica irá seduzir, por exemplo, o namorado da amiga. São casos muito comuns entre pessoas com esse tipo de personalidade, entretanto, por mais que elas andem sempre provocativas sexualmente, nem sempre é a verdadeira intenção seduzir determinada pessoa e, por isso, com frequencia erotizam até relações não-sexuais. É o caso da histriônica que erotiza sua relação com o seu chefe de trabalho, seu professor, seu médico etc. De forma geral, histriônicos, assim como anti-sociais tendem a usar a aparência física sexualmente sedutora para conseguir o que querem, fazendo sempre "joguinhos de sedução" a fim de manipular.

O comportamento sedutor da mulher histriônica é tão intenso que não obstante essas mulheres vivem muito mais vulneráveis a ataques sexuais, assédios bem como atentado ao pudor, abusos e estupros. As adolescentes histriônicas - especialmente, por volta dos 17, 18 anos, quando os traços histriônicos estão bem evidentes - frequentemente têm de ouvir avisos e preocupações de seus pais, a respeito de sua aparência física sexualmente provocativa. Isto acontece porque a histriônica sempre erotiza suas relações, mesmo as que não deveriam ser erotizadas; são verdadeiras manipuladoras: além de aparência, gestos, palavras e posturas extremamente eróticas, elas ainda podem ser completadas com suas dramatizações e teatralidade, muitas vezes exagerando emoções pouco sentidas ou até nem se quer vivenciadas, podem aparentar grande amor ou paixão, embora isso realmente não aconteça; as emoções são sempre demonstradas de forma excessiva, tendendo sempre à intimidade exagerada, mesmo quando esta nem existe. O principal objetivo das mulheres histriônicas é sentir-se desejada e muito atraente para o sexo oposto o que leva, às vezes, o despertar intenso de desejos sexuais nos homens, ficando muito mais vulneráveis a psicopatas e estupradores em geral, porque elas se "modulam" sexualmente conforme suas "vítimas". Como o que as mulheres histriônicas - e histriônicos em geral - querem é atenção e desejo para si, podem passar às vezes a imagem de que usam os homens, por exemplo, apenas para fins sedutores. Por vezes, uma bela histriônica (cuida e preocupa-se sempre em excesso com sua aparência física sexualmente sedutora) provoca e seduz um homem, embora ela não queira de verdade uma relação sexual ou afetiva; frequentemente essas mulheres "interrompem" o entusiasmo do outro parceiro, afinal, seu único objetivo era apenas sentir-se desejada, atraente e com atenção. De maneira geral, seduzem com intensa feminilidade ao tempo que podem demonstrar-se difíceis (para dispertar ainda mais desejo do homem), para depois, nem se quer ter um relacionamento sexual ou amoroso concreto. Isso, mais uma vez, deixa as histriônicas muito mais expostas a crimes sexuais. Além disso, as mudanças rápidas e superficiais na expressão das emoções podem levar à portadora deste transtorno demonstrar grande paixão por seu parceiro, para imediatamente demonstrar desinteresse marcante na relação, levando à raiva e frustração do parceiro.

O drama é a característica principal do transtorno, sendo este usado frequente e exageradamente. Pessoas com a desordem de personalidade histriônica, por certos motivos (biológicos, familiar, ambiental etc.), têm uma sensibilidade muito maior que outras pessoas quanto ao receber emoções, sentimentos, opiniões, comportamentos, pensamentos etc. Ou seja, é como se histriônicos sentissem e vivenciassem tudo de forma profunda e exagerada, como se tivessem perdido na personalidade, em algum momento de sua vida, a capacidade de medir a intensidade das coisas. Tudo machuca o histriônico e isso com frequencia leva à depressão. Por isso, é frequente idéias paranóides fruto de uma percepção exagerada e, às vezes, distorcida. De outra forma, pode-se representar isto através de uma metáfora: espetando levemente a pele de uma pessoa normal, esta dirá que quase não sentiu nada; diferente da pessoa histérica que se espetada com o mesmo objeto e na mesma intensidade, tende a dizer que o objeto espetado a feriu muito e dói terrivelmente ou que irá matá-la. Exatamente por isso, as decepções e frustrações comuns na vida de qualquer pessoa, são, para o histriônico, praticamente insuportáveis, pois eles sentem tudo de forma intensa. Qualquer palavra ou gesto gentil destinados a essas pessoas podem machucá-las, pois podem ser entendidas de forma exagerada ou errada, o que gera frequentemente paranóias. Logo é perceptível que são excessivamente inseguros. O término de um relacionamento pode ser "o fim do mundo" para o histérico, o atraso de um telefonema do namorado, por exemplo, pode levar a histriônica ao choro com a idéia de que "ele não gosta dela", ou que "está fazendo de propósito"; bem como as palavras e gestos de uma pessoa muito especial para uma histrionica, por exemplo, podem ser entendidas erradas e levarem-na ao choro, ao achar que está "sozinha", que "ninguém a quer", que "ninguém a ama" ou que "é feia" etc. - típicas frases de dramatismo histriônico - e ainda sempre sentem que são injustiçadas e criticadas, mesmo quando não o são. Essas pessoas tendem a exagerar até seus relacionamentos e quando amam, amam excessivamente e por se ferirem facilmente, a rejeição ou o fim do relacionamento pode ser de extrema dificuldade de aceitação para elas, vendo frequentemente seu "mundo desabar" e podendo entrar numa profunda depressão. E então quando resolvem expor seus sentimentos e emoções são tachados de hiperexagerados, dramáticos. Isso tudo, pode acabar levando a pessoa com o transtorno às manipulações, como emocionais ou sedutoras. As emocionais podem ser citadas como ameaças e tentativas de suicídio (dizer que vai morrer, que vai se matar ou até mesmo tentar, bem como suicídio completo); e as manipulações sedutoras podem ser citadas as variadas formas de provocação que geralmente essas pessoas usam, como a preocupação excessiva com a beleza física, vestir-se provocantemente e erotizar relações não-sexuais. Na maioria das vezes, o drama é usado para chamar atenção para si, de forma inconsciente e em geral essas pessoas nunca reconhecem o uso exagerado da emocionalidade, muito menos se dão conta de que fazem papel de "vítima" ou "coitado". A causa dessa constante chama pela atenção (que resulta no dramatismo), está na carência afetiva imensa que o histriônico sofre.

Eles frequentemente fazem atos ou comentários muito dramáticos diante das pessoas e exageram suas emoções e expressões, aparentando não ser algo sincero até porque suas expressões são frequentemente exageradas mas excessivamente rápidas, por isso, se magoam ou se irritam facilmente e, diante de uma crise de riso, por exemplo, caso alguém faça-lhe um mau comentário, eles podem expressar-se rapidamente tristes, para em seguida, com a remissão do comentário, mostrarem-se bem humorados novamente. São muito sensíveis às críticas e necessitam da atenção, aprovação e elogios de outros para se sentirem bem. Incluindo também nos atos dramáticos, eles podem exagerar sintomas, doenças ou então estar sempre a reclamar ou dizer novos sintomas que nunca se define a causa, a fim de manipular ou chamar atenção para si. Entretanto, esses também são sintomas de histeria nem sempre provocados intencionalmente.

São pessoas muito emotivas, exageram suas emoções e sentimentos sendo que com frequência demonstram sentimentos ou emoções não apropriados publicamente e de forma inadequada, por exemplo, podem demonstrar profundo sentimento de ciúmes, frequentemente constrangindo amigos, namorado ou até pessoas por qual não têm nem se quer laços afetivos correspondido. Podem também abraçar com ardor excessivo amigos, falar muito alto em público, fazer escândalos, rir em exagero, gritar ou chorar excessivamente, entre outras "cenas teatrais" que podem envergonhar seus amigos. Além disso, eles podem fazer demonstrações públicas excessivas, como por exemplo, colocar apelidos em pessoas recém-conhecidas, chamá-la como "minha amiga" logo ao acabar de conhecer, etc. Isto geralmente acontece porque histriônicos costumam a considerar os relacionamentos como mais íntimos do que realmente são; estabelecem novos relacionamentos com facilidade, entretanto, sempre de maneira superficial.

Por mais que o estereótipo do histriônico seja um eterno animado, nem sempre eles reagem dessa forma para concentrar todos os olhares ao redor de si; as pessoas tendem a associar que pessoas muito extrovertidas estão sempre a chamar atenção, enquanto que as mais reservadas ou introvertidas, pouco se importam com atenção ou elogio, mas, pelo contrário, a maioria dos histriônicos superficialmente é simpática, entretanto, podem não demonstrar suas características histriônicas para pessoas com pouca intimidade, porque indivíduos com o transtorno têm dificuldades em estabelecer relações profundas e íntimas. Eles, na verdade, dissimulam tão bem seus papéis teatrais que muitas vezes as pessoas nem se quer desconfiam, e acreditam que são pessoas com comportamento aparentemente normal. Contudo, as manipulações emocionais e sedutoras estão sempre a ser bem feitas e quase sempre imperceptíveis no momento; o que frequentemente os outros percebem diretamente é que são pessoas carentes, dramáticas e muito atraentes sexualmente. Já, por exemplo, pessoas com relações mais próximas como as que moram junto ao histérico, percebem muito mais o comportamento inflexível e desviado. O que é muito notável no comportamento histriônico, é exatamente a modulação de papéis que fazem em cada momento que acham conveniente. Isto quer dizer que nem sempre usam um mesmo comportamento, como simpático, palhaço ou animado para atrair atenção para si; eles podem, pelo contrário, aparentar-se deprimidos, tímidos, retraídos; antipáticos, metidos ou agressivos, rebeldes, estressados e explosivos se assim achar que vão atrair atenção e carinho para si. Ou seja, interpretam um papel a cada cenário que acham necessário: um momento podem estar extrovertido, engraçados, animados; outra hora podem estar irritados, isolados socialmente, quietos, deprimidos ou tímidos. O que importa, para eles, independe do comportamento extravagante e barulhento mas sim o quanto vão receber de atenção.

Outras características perceptíveis do histriônico é o fato de serem pessoas muito exigentes e sempre tentam colocar a culpa em outros. São muito dependentes emocionalmente e vivem a exigir atenção de outros. O importante é notar a excessiva cobrança de atenção a todo segundo. Reclamam a todo instante que "ninguém está a dar atenção o suficiente para eles" e acusam seus amigos, por exemplo, de deixá-lo triste por não se importar com ele. Facilmente sentem um sentimento de angústia e falta de carinho, entrando em depressão de maneira muito rápida. Em geral, são muito inseguros e a todo momento sentem que precisam de mais e mais atenção (mesmo que isso ocorra), como se a atenção que as pessoas dessem, não fosse totalmente o suficiente; histriônicos precisam a toda hora estar a receber carinho e atenção somente para eles. Além disso, qualquer coisa que ocorra, o mais previsível é a tendência de colocar a culpa nos outros, isto vai desde conflitos até resolução de seus próprios problemas, ou seja, histriônicos frequentemente culpam outras pessoas, especialmente as mais próximas, como as culpadas de seus problemas, decepções e frustrações; seja de forma direta ou indireta, elas tendem sempre a contornar e achar um jeito de achar algo ou alguém como causador ou culpado. Na realidade, histéricos não têm maturidade emocional o suficiente para conseguir resolver tais problemas e, então, tendem sempre a culpar outros. Essa constante exigência de atenção e tendência a culpar outros com frequencia faz com que afastem as pessoas, sobretudo amigos e pessoa com a qual se tem um relacionamento amoroso.

Nos seus relacionamentos amorosos as característícas histéricas se tornam muito evidentes e com frequência fazem "tempestade em copo d'água", levando sempre à instabilidade nos seus relacionamentos devida excessiva insegurança e necessidade intensa de atenção constante. Sempre representando um papel, como "a vítima", tornam-se pessoas exigentes de atenção e por isso exigem que seu parceiro corra excessivamente atrás deles, como se toda pessoa com que se têm relacionamento amoroso tivesse a obrigação de dar a atenção e carinho necessário de uma forma exagerada. Contudo, caso esta pessoa mostre-se indiferente, histriônicos podem sentir-se irritados, desconfortados ou mal-humorados, podem "enjoar" desta pessoa ou começam suas manipulações como acusações. Quase sempre histriônicos não conseguem ver a verdadeira intensidade das coisas e acabam entrando em conflitos ou depressão por coisas de pouca importância. Por isso, são dependentes emocionalmente, sendo que as frustrações amorosas podem levá-los a quadros de depressão profunda com eventual ameaça ou tentativa de suicídio (podendo ou não ser uma forma de chamar atenção).

Pessoas que são afetivamente plenas, são capazes de manter um relacionamento amoroso estável, mas isso não acontece com as pessoas portadoras da personalidade histriônica. A imaturidade emocional nos histriônicos impede o aprofundamento nas relações afetivas, frequentemente gerando infinitos desapontamentos e frustrações. Isso muitas vezes contribui para relações superficiais e pouca ênfase nas relações sérias ou íntimas.

Indivíduos histriônicos, a fim de conquistarem o carinho e a atenção dos outros, sobretudo daquelas pessoas na qual são mais apegadas e sentem um grande apreço, podem viver a entregar presentes para estas pessoas, mesmo em ocasiões não comemorativas (como aniversários, por exemplo). Isto frequentemente ocorre também nos relacionamentos amorosos, mesmo naqueles onde não há compromisso mútuo. É o caso da mulher histriônica que vive a presentear o homem que deseja, mesmo a saber que este não a ama. Na realidade, pessoas com essa desordem da personalidade, ao levar presentes, tendem a considerar mais importantes o carinho e a atenção recebida por levar o presente do que propriamente dita a relação que elas mantêm entre si. Ou seja, presentear seria uma forma de elogiar a alguém, mas na verdade, para histéricos isso significa uma forma de receber atenção para eles mesmos.

Além da necessidade constante de atenção, as pessoas com desordem de personalidade histriônica têm um egocentrismo evidente também nas satisfações, sobretudo as imediatas. Além de sempre tender a fazer e/ou começar tudo com final rápido e recompensa imediata, eles frequentemente podem dar impressão de pessoas egocêntricas que pouco se importam com outros. Quando algo os interessa, podem aparentar egoísmo e sem importância a outras pessoas como quem só está ali para receber algo em troca (atenção, por exemplo). Também por isso têm dificuldade em manter relações, ocasionalmente parecem fingidos ou mostram pouca preocupação para com outros. Além disso, como todo o grupo B de transtornos de personalidade, os histriônicos não conseguem tolerar exigências e cobranças rotineiras, por mais que eles mesmos façam isso aos outros.

Assim como a personalidade dependente e borderline, a personalidade histriônica exibe uma grande ansiedade diante das separações com outras pessoas, pois são os tipos de personalidade mais dependentes afetivamente e emocionalmente e tendem a facilmente se entendiar e, nos períodos que estão sós, sentem-se como se não tivesse nenhum amigo real e durante esse tempo tornam-se inquietos, ansiosos e os mestres das dramatizações, necessitando de muito carinho, pois sentem-se inesperadamente perdidos e carentes. Caso se sintam fora do centro das atenções e sozinhos, podem chorar. Nesse período todo, a reatividade entre a agitação e depressão é tão grande pois eles têm medo de serem abandonados e não serem mais o centro das atenções. Eles são eternos dependentes de alguma pessoa ou objeto de afeição, mas usualmente são inabilitados para sustentar uma relação, contudo, têm uma reação emocional excessiva às rejeições.

Além disso, uma característica que frequentemente está presente é o ciúmes. A personalidade histriônica, borderline e paranóide são as principais desordens da personalidade que estão mais propensas ao ciúmes excessivo. No caso dos histriônicos, eles querem sempre ser a atenção de todos e, caso isso não aconteça, pela hipersensibilidade que essas pessoas têm, tendem a se sentir excluídos e tristes facilmente, com muito ciúmes ao perceberem que outra pessoa está a receber mais atenção que ele. Na verdade, eles querem ter a atenção apenas para eles. Para isso, novamente fazem uso da manipulação, como a autodramatização, para terem mais atenção para si. De maneira geral, pessoas histéricas estão sempre atentas às outras pessoas, pensando em alguma forma de manipular para que estejam a todo momento no centro das atenções, caso contrário, facilmente ficam depressivas.

Esses indivíduos, não toleram que outras pessoas sejam "o centro das atenções", frequentemente demonstrando ciúmes, acessos de mau humor e acusações. Quando percebem que tais atitudes extremas não são bem sucedidas, ocasionalmente podem se afastar das pessoas que, para o histriônico, dá atenção apenas a uma outra pessoa e não para eles. Por exemplo, é caso da jovem histriônica que se afasta de seus antigos amigos, repentinamente, porque tem sensação de que estes deixaram de dar atenção para ela, para dar a uma outra pessoa. Por isso, a inconstância até nas amizades e relacionamentos dos histriônicos são frequentes, podem trocar de amigos facilmente.

Essas pessoas, assim como todo o grupo B de transtorno de personalidade, não gostam de ser contrariadas e reagem de forma excessiva quando contrariadas. Elas podem reagir com acesso de lágrimas, raiva ou agressividade e rebeldia excessiva; o histriônico frequentemente reage de forma teatral tendendo sempre aos choros, lágrimas, depressão e mau humor.

São pessoas egocêntricas e raramente mostram-se preocupadas para com os outros, principalmente com pessoas mais próximas como familiares e têm mania de não pensar antes de agir, frequentemente se precipitam por não saberem esperar devidamente. Impulsivas, falam rápido, querem fazer tudo rápido e, caso percebam que não dê para acabar logo determinado projeto, elas podem abandoná-lo rapidamente, ignorá-lo ou até mesmo nem começá-lo, dando uma forte impressão de pessoas preguiçosas, impacientes ou que desistem facilmente. Na realidade, são pessoas imediatistas com tendência a fazer apenas as coisas com recompensas imediatas, imaturas emocionalmente e muito instáveis. Além disso, vivem reprimindo suas emoções e sentimentos negativos, bem como desejos, fazendo assim com que ao passar do tempo tudo isso vá se acumulando até resultar-se notadamente em um acúmulo de sentimentos ou emoções negativas (ex.: raiva ou ódio em excesso por algo ou alguém), bem como a conversão dessas emoções em sintomas físicos - histeria, dissociações e até transtorno de personalidade múltipla.

Histriônicos, muitas vezes, encantam as pessoas com que travam conhecimento pela primeira vez, contudo, eles podem fazer esse encanto desaparecer gradativamente à medida que as pessoas vão conhecendo e se aproximando cada vez mais do histérico; ou seja, pessoas recém-conhecidas frequentemente têm uma ótima imagem do histriônico, mas se algum deles tornar-se amigo do histriônico, é muito notável a progressiva indignação que elas obtêm pelo fato de ao decorrer da intimidade, esses amigos percebem o agravamento das dramatizações, as inúmeras tentativa de controlar os outros com manipulações emocionais, sedução e dependência, e sobretudo a necessidade intensa de atenção e excessiva insegurança demonstrada com a exigência constante de elogios, atenção e carinho. Nos relacionamentos com amigos, frequentemente o histriônico faz o papel de "vítima", exigem atenção a todo momento e, caso percebam indiferença, fazem manipulações emocionais como dizer que vai se matar ou até mesmo tentar, e ficam deprimidos facilmente; nos relacionamentos amorosos, essas características tornam-se muito intensas, fazem papel de "carentes eternos de afeto", frequentemente apegam-se em excesso pelo(a) parceiro(a), muito ciumentos com grande insegurança, excessivamente manipulativos e dramáticos, qualquer palavra ou gesto pouco importante, é percebido pelo histriônico como motivo de se sentir muito feridos emocionalmente, com medo profundo de não receber atenção e apelam novamente para dramatizações (ex.: uma mulher tende a manipular o parceiro somente pelo fato de que este, por exemplo, anuncia que voltará para a casa; a histriônica se sente sem atenção e carinho, e abandonada) muitas vezes chegando até a passar mal fisicamente por qualquer coisa, fazendo uma grande tempestade por quase nada. Isso tudo tende a afastar a pessoa que pode se cansar de tanta exigência emocional e se sente sufocada porque muitas vezes os histriônicos querem ficar o tempo todo ao lado da pessoa, a fim de ser o principal centro das atenções do parceiro.

Assim como todos pacientes com desordem de personalidade, indivíduos com o transtorno de personalidade histriônico fazem uso excessivo e incorreto dos mecanismos de defesas, sendo os mais usados por histéricos a repressão, negação, dissociação e transferência ou deslocamento. Contudo, reprimir emoções negativas ou sentimentos, bem como desejos é o mais frequente observado nessas pessoas. Além disso, eles também costumam generalizar e podem fazer um deslocamento de afeto, ou seja, quando o paciente transfere um afeto (sentimento ou emoção) de uma pessoa, para outra ou todas pessoas que não a primeira. Por exemplo, é o que ocorre num homem com transtorno de personalidade histriônica que se sente triste no trabalho quando percebe que seu chefe não o considera o centro das atenções; esse homem pode transferir raiva (que supostamente deveria ser expressada para o chefe) na sua esposa. [2] Outro exemplo também, é o caso da histriônica que, após uma frustração amorosa, cuja raiva foi reprimida para o homem amado, passa a sentir grande ressentimento ou ódio por todos os homens.

Pessoas com o transtorno de personalidade histriônica podem usar doenças ou acidentes para fazer com que o foco de atenção seja voltado para si. Muitas vezes glorificam doenças e podem se expor a riscos de saúde propositalmente, como se não se importassem com sua própria saúde, apenas para adoecer, porque tendem a acreditar que terão a atenção voltada para si e cuidado intenso caso estejam doentes. São pessoas que "gostam" de ficar doentes, podem exagerar os sintomas de suas doenças ou ainda podem, por exemplo, interromper um tratamento abruptamente quando percebem que já estão ficando bem. Isto também é evidente até mesmo em tratamentos psiquiátricos bem como psicoterapia, eles tendem sempre a abandonar o tratamento quando percebem que estão prestes a melhorar. Histriônicos também são propensos à hipocondria.

Nos pacientes histriônicos, o estilo cognitivo (memória, fala, linguagem etc.) há uma notável propensão à impressionalidade e superficialidade. Eles podem ter problemas em fixar sua atenção, concentração e têm uma dificuldade de ter uma análise racional das situações: as análises se fazem pela intuição e emoções, o que dá ao discurso características vagas e superficiais. Isto significa que tudo referente à cognição do histérico é muito exagerado e impressionável, entretanto, superficial, sem detalhes específicos. Por exemplo, o discurso dos pacientes com esse transtorno é impressionável mas carente de detalhes. Esses indivíduos costumam a generalizar e quando falam ou lembram de algo, não sabem dar detalhes, explicar ou dizer o porquê do determinado assunto. Isto pode ser também percebido nas famosas "respostas sem respostas", como "ah, porque sim."

Indivíduos histriônicos têm fortes traços hedonistas e têm severa intolerância ao tédio e rotina, estão sempre em busca de fortes estímulos, novidades e novas excitações. Isso também contribui para a instabilidade emocional, influenciando os variados outros contextos da vida do histriônico, como gostos, comportamentos e relacionamentos. Eles tendem sempre a ser instáveis em seus relacionamentos, por exemplo, porque tendem a conhecer entusiasdamente alguém, contudo, esse estusiasmo acaba dias depois quando percebem que se tornou rotineiro e velho; ou seja, suas amizades bem como romances podem não durar muito e frequentemente têm de estar mudando. Como são indíviduos evidentemente hedonistas, tendem a fazer apenas o que lhe dão prazer e, assim, deixam sempre para depois alguma tarefa importante ou rotineira, significativamente ruim ou cansativa. Eles fazem apenas tarefas estimulantes e prazerosas para eles, muitas vezes nem se quer se importando com a real importância das consequências que isto o trará sendo que com frequência nem chegam a fazer tais atividades cansativas ou pouco prazerosas.

Histriônicos necessitam de aprovações e sentimentos de serem importantes para outros o que faz freqüentemente exigirem que as outras pessoas também corram excessivamente atrás deles com o objetivo de se sentirem confortados, cuidados e amados. Quando estão carentes de afeto ou percebem que não são mais o centro das atenções sentem-se desconfortados, tristes e excluídos, podendo ter uma crise de expressionalidade emocional exagerada (dramatismo), bem como manipulações emocionais (ex.: acusações, exigências, tentativa de suicídio) ou sedutoras. Além disso, tendem a considerar os relacionamentos como mais íntimos do que geralmente são. Uma característica típica também da personalidade histriônica é a dificuldade de aceitar e resolver problemas o que conseqüentemente faz reprimi-los, levando a um quadro denominado histeria, uma capacidade que histriônicos têm em converter problemas emocionais para sintomas supostamente físicos.

São pessoas sugestionáveis: são muito abertos às opiniões e sugestões de outros. Isto casualmente faz dos histriônicos pessoas indecisas ou que mudam facilmente de opinião ou idéia totalmente contrárias. Podem falar algo para, em seguida, mudarem radicalmente de opinião, sendo que assim eles têm dificuldade em manter uma opinião fixa ou própria, concordando ou dependendo casualmente das sugestões alheias em relação ao que faz ou pensa. Por exemplo, é o caso da histriônica que, ao comprar dois vestidos, pede a sugestão da vendedora da loja, frequentemente afirmando depois para suas amigas "eu não soube exatamente qual vestido levar, então comprei este cuja vendedora da loja disse-me que achava mais elegante".

Como todos os transtornos de personalidade, os sintomas se tornam evidentes na adolescência ou no ínicio da idade adulta e tendem a persistir pelo resto da vida. Vale relembrar que, como todo transtorno de personalidade, os sintomas do histrionismo são inflexíveis, duradouros e causam prejuízo significativo no indivíduo bem como às pessoas em sua volta.

De maneira geral, pessoas com transtorno de personalidade histriônica tendem a chegar ao psiquiatra, primeiramente, por conta da depressão ou sintomas físicos com causa emocional (sintomas histéricos). Quando chegam ao especialista por outras causas, frequentemente tendem a culpar os outros, como por exemplo, dizer dramaticamente que as outras pessoas o abandonam, sendo que na verdade, não reconhecem que seu comportamento é problemático, fruto de um transtorno de personalidade. Essa características é típica em todas as desordens da personalidade; essas pessoas nunca enxergam seu comportamento doentio, para elas é algo normal e com frequencia dizem que são os outros que não as compreendem.

A palavra "histrionismo" vem de "histrião" que significa um indivíduo "ridículo, bobo, louco", bem como "dramático", por conta das pessoas que possuem esse distúrbio agirem dessa maneira, de forma teatral, pois o dramatismo é uma das características marcantes do histrionismo, o que faz geralmente as outras pessoas acharem que o histriônico está agindo de uma maneira falsamente exagerada ou irônica. Na realidade, essas pessoas são tidas como verdadeiros atores da vida, sendo esta um palco e eles os protagonistas com o principal objetivo de atrair o maior número de olhares e atenção possível das outras pessoas, a platéia. Mudam de "personagem" com frequência, como se na verdade, não tivessem apenas um modo estável de ser, o que leva constantemente a uma confusão interna, pois muitas vezes não sabem nem o que são ou o que querem.

extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_de_personalidade_histri%C3%B4nica

sábado, 14 de agosto de 2010

MAIS UM TRANSTORNO PSIQUICO... SINDROME DE BORDELINE

Síndrome de Borderline, ou Transtorno de Personalidade Limítrofe é uma expressão utilizada há mais de um século pelos pesquisadores do campo mental, que dela se valem para apontar uma modificação no limite entre a neurose e a psicose ou, como diriam alguns, na linha de demarcação entre a razão e a loucura. A pessoa atingida por esta síndrome apresenta um sério distúrbio psíquico, principalmente na esfera afetiva, no domínio dos impulsos, nas interações com o outro, na sua auto-imagem.

O diagnóstico desta perturbação mental é facilitado pelo próprio transtorno causado pelos sintomas no entorno do paciente, principalmente por atingir os familiares. Normalmente o indivíduo não ultrapassa os limites da normalidade, portanto é raro que ele seja enquadrado em um dos estados emocionais próximos do borderline, tais como a esquizofrenia, a depressão ou o transtorno bipolar.

Esta enfermidade psíquica não é ainda muito conhecida, embora afete indiscriminadamente integrantes das mais diversas classes sociais, pessoas célebres ou anônimas, particularmente as mulheres. Atualmente, o exemplo mais famoso de personalidade borderline é o da cantora Amy Winehouse, que revela em seu quadro dimensões radicais desta Síndrome, especialmente traços de autodestruição – os quais englobam a automutilação, com cortes perpetrados em várias partes do corpo, com a intenção de amenizar as dores emocionais, ameaças e até tentativas de suicídio -, consumo de drogas, intensos arrebatamentos verbais, ataques de agressividade, ilusões e alucinações passageiras, impulsividade desenfreada, sem falar nas constantes alterações de humor, apresentando-se a artista às vezes agitada, em outros momentos totalmente passiva.

Outras emoções despertadas pelo estado borderline incluem tristeza, raiva, vergonha, sentimento de pânico, horror, sensação de vazio e de extrema solidão. A capacidade de obter conhecimento também se encontra comprometida, levando o indivíduo a interpretações diversas sobre o outro, em um instante avaliando-o como um ser bom, logo depois o julgando como uma má pessoa. Além disso, há casos de perda da personalidade e do contato com a realidade. Entre tantos sintomas diversos, o DSMV fixou nove pontos essenciais para que se avalie o distúrbio como Síndrome de Borderline.

A expressão borderline foi utilizada primeiramente em 1884, pelo psiquiatra inglês Hughes, que assim se referia às ocorrências de loucura. Passou-se a usar este termo para diagnosticar sinais muito sérios de neurose. O pesquisador Bleuler julgava os esquizofrênicos como portadores de borderline. Enfim, em 1938, a palavra borderline é oficializada por Stern, que a adota para descrever uma modalidade de ‘hemorragia mental’, a qual ocorre quando se deflagra uma intolerância às frustrações. As pessoas se sentem, então, ressentidas, ultrajadas e emocionalmente atingidas. Grinker, em 1967, realiza pela primeira vez a descrição desta perturbação mental.

Estes pacientes têm intensa dificuldade de se relacionar. Fatores genéticos, abusos sexuais, exposição traumática á violência, são algumas das causas apontadas para a eclosão deste distúrbio, pois provocariam desequilíbrio emocional e comportamentos impulsivos. O reflexo deste problema na vivência social é muito sério, pois há uma grande dificuldade de se relacionar com os portadores desta Síndrome, embora seja necessário amparar e socorrer estas pessoas, principalmente porque o número de suicídios é muito alto, afetando pelo menos 10% dos pacientes.

Tem-se conquistado resultados positivos no tratamento desta perturbação ao se recorrer à psicoterapia, principalmente a cognitiva comportamental. Mas é preciso ser persistente no processo terapêutico, pois esta enfermidade engloba sérios distúrbios de personalidade, os quais deixam o ego vulnerável e passível de diversas quedas, de retorno a um estado de instabilidade.

Fontes:

http://www.fsanet.com.br/site/materia.php?id=607

http://www.cienciasecognicao.org/artigos/m14420.htm

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

ELABORANDO HIPÓTESE DIAGNÓSTICA... PORQUE???

Tenho 32 anos e recebi a alguns meses a hipótese diagnóstica de sindrome do transtorno bipolar, uma patologia psiquiatrica que não impede seu portador de trabalhar, estudar, constituir família... enfim, de ser um individuo "normal" (digo, de acordo com padrões comuns de comportamento).

O normal entre aspas serve para suscitar uma discussão acerca do que, afinal de contas, é ser normal?
O conceito de normalidade é relativo e todos os seres humanos são diferentes, ainda que apresentem um determinado padrão de comportamento comum. Cada um tem uma maneira particular e característica de se mover e construir sua história na sociedade.

Importante o preâmbulo acima para dirimir pré- conceitos (assim mesmo!!!) acerca do mito criado em torno da doença psiquiátrica,

Desde criança noto características parecidas com aquelas típicas do TAB, mas só recebi impressão diagnóstica de Psiquiatra aos 32 anos (com diagnóstico inicial de reação aguda ao estresse seguido de depressão), qdo passei a cuidar de forma terapêutica dos sintomas associados à patologia.

Noto que desde muito nova o padrão se repete: fases de euforia, de querer "agarrar o mundo com as pernas" (e conseguir produzir muuuuito), seguidas de fases de profunda depressão, de não-fazer, de ostracismo total, em que me recolho e me afasto de todos, ferida, magoada, tolhida e insatisfeita por estar viva e improdutiva.

É uma doença interessante para quem busca o autoconhecimento, pois não raro o portador de TAB caracteriza-se por ser talentoso, mas de modo geral, ao longo da trajetória de vida, mostra-se pouco eficaz, pq só produz na fase de euforia.

Quando a doença fica sob controle médico-terapêutico (Psiq, Psico, Nutri, Cardio, equipe multidisciplinar de preferência), o portador tem uma vida relativamente próspera, porque o bipolar é empreendedor nato, quer construir, desconstruir, reformar, inovar, mudar o mundo; muitos se destacam nas artes, na música e afins pq são criativos...

Sabe, para desconstruir o mito da doença psiquiatrica eu demorei quase 33 anos, me sentia uma estranha, não compreeendia, tampouco minha família. Hoje sou formada, professora de Português, servidora pública, uma filha linda e que aparentemente não "herdou" minhas caracteristicas patológicas (a herediatariedade/genética pode ocorrer nestes casos), trabalho com informática, meu verdadeiro prazer, e pretendo cursar agora faculdade de Engenharia da Computação, que é uma das aspirações "roubadas" pelo transtorno, pois poderia ter feito logo a pós a 1ª formação, mas muitos fatores contribuíram e não quero externar arrependimento , pq a culpa é um estado de alma que consome as energias e não acrescenta em nada... Só descobri com muita terapia, autoterapia.

Mesmo com todos os problemas que o transtorno me causou, jamais posso culpar-me de algum não-fazer, pois lutei muito ao longo da vida e amealhei vitórias das quais não posso reclamar. Faltam cumprir projetos de vida? Claro que sim, assim como à maioria.

Não sou melhor ou pior que um "normal", sou diferente, assumo-me portadora de uma doençazinha chata, mas que aprendi a não mais deixar que me atrapalhasse. Luto contra ela diariamente, e cuido de marido, filha,trabalho, curto meus grandes prazeres, que envolvem o uso da informática (Banco de Dados, aaaaaamo!!!, Excel, internet, blog, escrever em meu diário digital, escrever pra vocês, conhecer sites de contúdo informativo e fidedigno...), luto diariamente contra a balança, pois sou bom garfo (por isso a Nutricionista é indispensável em minha vida!) e sigo a vida, bipolar, eufórica, depressiva, feliz, rabugenta, humana e limitada.

Compuz este depoimento para desmistificar a doença psiquiátrica. Não as tem quem é louco. Não é preciso fugir ou ter pena do portador. Não mata, não aleija. Não acuso ninguém de pensar assim não, viu? Fiquem tranquilos! É apenas mais uma maneira de também me convencer disso diariamente para que não sofra de culpa, autopiedade, para que eu possa cada vez me conhecer mais, para que receba as impressões de quem irá ler e comentar meu relato, para dividir com o máximo possível de pessoas meus acertos e desacertos na vida, me identificar com algumas, discordar de outras. Socializar-me... Tudo isso faz parte de uma terapia que preciso entender que em minha vida é para sempre, se quero ter qualidade de vida. Sou tão diferente de qualquer um outro ser humano, e ao mesmo tempo tão igual... É um prazer dividir. Será um prazer ter podido contribuir para que alguém(ns) (rs) passe a se perceber melhor depois de meu relato, pq tem muuuuuita gente que sofre de transtornos psiquiátricos e não aceita, não reconhece para si mesmo, não expõe para não se expor, por vergonha, medo de parecer inferior, ser rejeitado.... E outros medos que, infelizmente o impedem de ser pleno, de ser feliz. Experiência própria. 30 anos, e eu ainda cantava "...Não vou me adaptar.......". Pois bem, adaptei-me, e a luta continua, companheiros... Um forte abraço!!!

Espero que este depoimento semeie algo de promissor na cabeça de certos normalóides preconceituosos de plantão...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Volta ao Trabalho. Será???

Infelizmente não foi o que eu esperava. Me apresentei para ser avaliada e voltar ao trabalho e não me senti acolhida.
Imprimi alguns trechos mais relevantes de minhas impressões para tentarmos juntas buscar respostas. Fui sincera, me abri, mas a Psicóloga ficou contrariada, resistente em ver os relatos,e acrescentou que os remédios não estavam fazendo efeito, que eu não estava bem e que não poderia voltar ao trabalho. Meu mundo caiu. Fui pedir ajuda justamente para ajustar a medicação e tentar compreender o que acontecia cmg, mas os conselhos e observações que recebi foram frustrantes (e eu precisava lidar com aquilo...).
"Posso te pedir uma coisa Jô? Pare de ler essas coisas na Internet... (se vissem a cara de nojo que ela fazia para os papéis que continham um pouco de mim. Continham ainda boas bibliografias de endereços eletronicos confiáveis e de bons livros. Foi sofrido...). Pare de se preocupar em saber o que vc tem".
O tom condescendente não me confortou, me feriu, como se não soubesse escolher conteúdos de qualidade. Adoro o blog da Luciana, o da Ana Maria Saad, por exemplo. Assisto a vídeos de profissionais renomados. Os livros que leio são fidedignos. Todas as minhas experiências e tentativas de busca ao autoconhecimento ajudaram-me em muitas ocasiões a não ficar pior, pq aprendi a respirar, a proteger a construção de meus pensamentos, desabafei através dos textos, e me acalmavam todas essas atitudes.
A Psicóloga, de uma única vez, juntou tudo, pôs num saco e rotulou: "Bobagens - Proibido!".
Fui encaminhada para um médico comum, pq não conseguiram Psiquiatra, e ele perguntou quais eram meus sintomas. Procurei ser mais criteriosa pq perdi a confiança neles (o fim para qq terapia). Ele anotou algumas coisas em um "encaminhamento" e pediu que consultasse um Psiq, só depois poderia voltar ao trabalho. Disse que já havíamos tentado, mas que eu estava em condições de trabalhar, e poderia aguardar a consulta já tendo voltado ao trabalho (fui liberada pela perícia oficial do Estado, que atende ao servidor público, mas é um médico comum, do trabalho, que apenas valida as licenças dadas pelo especialista). Ele deu de ombros e disse: "só assino seu retorno com o aval da colega Psiq!".
Resumindo: estou acelerada, mas o trabalho é gratificante. E estou produtiva (ainda que descompensada nesse sentido). Me senti rejeitada e o que pensei que seria um acolhimento, literalmente resumiu-se a "ordens" que recebi sem sequer ser ouvida adequadamente. Estou fragilizada. Peguei a dignidade que me restava, envolvi com carinho em um manto invisível de compreensão e amor e voltei p casa abatida.
To me controlando, mas o filme de ontem passou e to chorando.
Se for impedida de trabalhar, terei de ser estabilizada de verdade pq sinto que estou no meu limite de tolerancia.
Não me ouviram, não concordo com essa metodologia de tratamento, e acho até que pioraram meu quadro. Agora há uma sensação de rejeição e um estranho medo de escrever e/ou mostrar meus escritos à Psicoterapeuta. Seria a 1ª vez que faria assim, mas e se a "receptividade" for a mesma??? Trauma! (consulta Psicologia em 12ago10).
Cheguei a comentar com a Psicóloga do trabalho. "Estou sendo tratada como doente inválida. Mas sei que estou produtiva, só preciso ajustar os remédios..." Foi um desabafo mais p mim mesma, pq não fui ouvida, compreendida...
Mais uma baixa...
Bjo.